Justiça confirma: é falsa a acusação contra Fábio Galindo

A justiça considerou improcedentes as acusações do empresário e delator Alan Malouf contra o advogado e ex-secretário estadual de Segurança Pública do Mato Grosso, Fábio Galindo. De acordo com o portal G1, a suposta acusação foi tão frágil e desconectada de provas que sequer chegou a gerar investigação criminal.

Ainda segundo o G1 Mato Grosso, em maio de 2019, “O ex-secretário de Fazenda Paulo Brustolin registrou em cartório uma escritura pública declaratória afirmando que o empresário Alan Malouf mentiu na delação premiada firmada após ser preso sob a acusação de participar de um esquema de desvio de recursos da educação por meio de contratos fraudulentos. O esquema foi revelado durante a Operação Rêmora.”

Análises cronológica e técnica mostram que, na verdade, Alan tentou se vingar e retaliar as autoridades que cumpriram sua função, fazendo a coisa certa, aplicando a lei penal a todos sem distinção. Em maio de 2019, o sire Repórter MT revelou a farsa construída por Alan Malouf para prejudicar Fábio Galindo e todos aqueles que estavam do lado certo da lei e das melhores práticas da administração pública.

Alan Malouf acabou preso e confessou ser o líder da organização que roubou a Secretaria de Educação do Estado de Mato Grosso. Curiosamente, a operação aconteceu quando Fábio Galindo era Secretario de Segurança Publica, Marco Aurelio foi o Promotor que pediu a prisão e a juíza Selma que a decretou. Logo depois da prisão, Alan criou essa versão sobre um suposto tráfico de influencia, que jamais se comprovou.

Entenda o caso

O empresário Alan Malouf começou conversas com o Ministério Público Estadual de Mato Grosso, apresentando 14 volumes que fariam parte de uma delação premiada para a Operação Rêmora, que investiga fraudes em processos de licitação. Alan foi delatado como o operador financeiro do esquema e confessou seus crimes.

Em dezembro de 2016, no dia 5, após ser apontado como o braço financeiro do grupo, Malouf tentou fazer uma delação premiada no Ministerio Publico Estadual, o GAECO de Mato Grosso. Juntou 14 fatos supostamente criminosos os quais conhecia e queria falar. Formulou 14 anexos e protocolou no GAECO.

No dia 13 de dezembro, 3 Promotores do GAECO analisaram os fatos e documento e lavraram parecer negando a colaboração. Afirmaram os Promotores que Malouf estava sendo omisso e, na verdade, tentando atrapalhar as investigações.

“Por ora, a base do relato contido no anexo VIII demonstra omissão, contradição e tentativa de atrapalhar a atividade investigativa na citada Operação Rêmora, em trâmite na Justiça Estadual de Mato Grosso”

informaram os promotores

Após o parecer, a juíza da Sétima Vara Criminal Selma Arruda decretou a prisão preventiva de Alan Malouf, negando a delação. Malouf foi preso no dia 15 de dezembro de 2016. Foi então que Malouf decidiu fazer uma manobra jurídica que flerta com a ilegalidade e caracteriza vingança e retaliação às autoridades.

No dia 16 de dezembro, já preso, Além dos 14 volumes já conhecidos, ele pediu a anexação de mais documentos, onde denunciava o advogado Fábio Galindo, a juíza que decretou sua prisão Selma Arruda e um dos promotores do caso no MPE, Marco Aurélio.

A narrativa apresentada por Malouf na delação diz que Galindo o procurou, no dia 20 de março de 2016, quando teria falado que conhecia a juíza e o promotor e poderia oferecer uma espécie de blindagem jurídica.

A suposta proposta teria sido feita em uma propriedade da família do advogado e afirmava que ele teria boas relação com nomes importantes e que poderia garantir a proteção de Malouf tanto no Ministério Público (Marco Aurélio) quanto no Judiciário (Selma Arruda).

“Segundo Fábio, ele é muito próximo/íntimo do Coordenador do Gaeco [Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado], bem como da juíza da Sétima Vara, Selma Arruda, e conseguiria dar essa blindagem ao peticionante e outros empresários, para que operações não viessem a ser deflagradas e prisões não viessem a ocorrer”, diz trecho da delação do empresário.

A ordem dos acontecimentos mostra que o acusado agiu de má-fé, buscando a retaliação dos nomes envolvidos.

Primeiro porque jamais falou algo do tipo quando de sua primeira abordagem ao Ministério Publico em 05 de dezembro. Só foi trazer essa versão depois de preso por atuação direta das autoridades mencionadas.

Segundo porque na data do suposto encontro com Fabio Galindo, 20.03.2016 sequer existia operação rêmora para tratarem a respeito. A informação de Malouf é falsa. A operação rêmora teve sua primeira fase apenas em maio de 2016, e mirou apenas os empresários com contratos com a Seduc. Em julho daquele ano, foram presos os agentes públicos envolvid

Alan só veio a ser implicado na investigação em 30 de novembro de 2016, quando foi apontado por seu primo Giovani Guizardi como o mentor financeiro do esqueça. Portanto, a data apontada por Alan sobre o encontro, não bate com a dinâmica dos fatos.

Terceiro por causa da inexistência de provas e absoluta inidoneidade dos meios apontados. O único meio apontado pelo colaborador é quebra de antenas de telefonia para comprovar o suposto encontro com Galindo. Ocorre que, como já dito, na data do suposto encontro nem investigação existia.

Alem do mais, crimes de solicitação ou oferta de algo devem ser comprovados com gravações, conversas de whatssapp, e-mails, testemunhas presenciais que ouviram a conversa, bilhetes trocados, ou algo confiável.

Não se comprova jamais esse fato apenas pela palavra do colaborador que, como qualquer um, pode criar e inventar uma suposta estória e sair contando por aí.

Entre falar e provar existe uma distância oceânica, principalmente neste caso, que o suposto colaborador cita data estéril e faz acusações sem provas e um dia depois de sofrer o peso da lei em seus ombros.

Intimado pelo Poder Judiciário em 23 de outubro de 2018 para juntar provas do que alegou, Alan Malouf não juntou absolutamente nada no procedimento, que foi arquivado sem sequer dar ensejo a uma investigação criminal.

Caso a mentira seja comprovada, o delator perderá os benefícios, além de responder judicialmente pela falsa acusação contra autoridades.

Conheça os nomes envolvidos sem qualquer
prova na farsa criada por Alan Malouf

Fábio Galindo

Fábio Galindo foi promotor de Justiça em Minas Gerais, primeiro colocado de seu concurso, fazendo carreira nas áreas de Combate ao Crime Organizado, ao Crime Financeiro e Lavagem de Dinheiro.

Durante 6 anos foi membro do GNCOC – Grupo Nacional de Combate ao Crime Organizado, tendo participado de comissões legislativas que elaboraram as principais ferramentas de combate ao crime organizado, como a nova lei de combate à Lavagem de Capitais, a Lei da Empresa Limpa (Lei 12.846/2013) e a Nova Lei de Combate ao Crime Organizado, 12.850/2013, exercendo por mais de um ano a função de Secretário de Segurança, na gestão do governador Pedro Taques (PSDB).

Teve que deixar o cargo após uma decisão do STF que impedia promotores e procuradores de ocuparem cargos no Executivo ou Legislativo.

Como secretário, obteve ótimo desempenho reduzindo os índices de violência, alcançando a marca da terceira maior redução dos crimes de homicídios no Brasil, proporcionalmente.

Foi reconhecido pela tropa do estado pela lealdade e dedicação no cumprimento da função, saindo às ruas juntamente com os policiais para atuar em operações, demonstrando liderança e comprometimento no combate ao crime.

No aspecto de Combate à Corrupção, foi o idealizador e implantou o CIRA (Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos), que recuperou 870 milhões de reais para os cofres públicos no primeiro ano de gestão, enfrentando a sonegação, lavagem de dinheiro e corrupção.

A sua época, como Secretario, foram levados à prisão o ex-governador Silval Barbosa, 13 secretários de Estado e empresários famosos. Por ironia do destino, um dos empresários era Alan Malouf, alvo da Operação Rêmora. Malouf se atribuía a condição de maior financiador da campanha politica do então governador Pedro Taques, e se imaginava acima da lei.

A correção de Galindo e das demais autoridades foi extrema, fazendo a lei valer para todos, colocando inclusive Alan atrás das grades.

No estrito cumprimento de sua função, Galindo também foi um dos autores da denuncia do caso que ficou conhecido como Grampolândia Pantaneira, que revelou um esquema de interceptações telefônicas clandestinas praticadas por membros do alto escalão do Governo e Coronéis de alta patente, não hesitando em denunciar à PGR membros do governo do qual fazia, demonstrando absoluta independência e cumprimento estrito de sua missão.   

Empresário delatou que ex-secretário teria cobrado R$ 3 milhões para blindá-lo, mas conversas mostram o contrário Foto: Ednilson Aguiar

“Combater o crime organizado, enfrentar detentores de poder politico e financeiro não é tarefa fácil. Esses grandes criminosos da República resistem bravamente para não perder poder e espaço.

Quando não podem lhe atacar na integridade física, miram contra sua honra e disparam. Já vi esse filme. As vezes não tem coragem o suficiente para matar o Promotor, então tentam assassinar sua reputação”   

Ao ser procurado pelo site Olhar Direto e questionado sobre o caso, Galindo afirmou que o empresário agiu por maldade. “Eu já tinha ouvido, mais de uma vez, que Alan Malouf estava magoado comigo e outras autoridades por não ter lhe ajudado no processo”.

Complementou que “ele acreditava que seus conhecidos deveriam atuar nos bastidores para beneficiá-lo. Problema dele.

Não faria isso, não fiz, e não me arrependo. Não mexi uma palha para ajudar ou prejudicar Malouf. Fiz a coisa certa. Escolhi o lado certo da história e tenho a consciência tranquila”.

Declarou ainda que, “Só não imaginava que criariam uma estória leviana como essa, a ponto de inventar uma mentira deslavada para tentar macular a honra e a biografia de pessoas com anos e anos de vida pública reta.

Estou perplexo com essa manobra de ‘criar’ um anexo um dia depois da colaboração negada e prisão decretada. Isso só revela que a maldade humana não tem limites”.

Ao site O Livre, Galindo declarou que “A versão de Malouf não suportou um sopro de verdade. As mentiras e contradições eram tantas que sequer subsidiaram uma investigação criminal.

Palavras vazias. Essa manobra realizada só exterioriza os reais motivos do colaborador, que usou a colaboração como instrumento seletivo de proteção de amigos e retaliação dos que considerou inimigos. Vingança pura e rasteira, agora descoberta”.

Além disso, afirmou que entrará com as ações penais e civis contra Malouf e completou: “Espero, sinceramente, que o Ministério Público perceba rapidamente que foi literalmente usado, ao talante do colaborador, aplicando as consequências jurídicas adequadas”.

Selma Arruda

Selma Arruda Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

Selma Arruda atuou por vinte e dois anos como juíza no Tribunal de Justiça do Estado do Mato Grosso (TJMT), na Sétima Vara Criminal de Cuiabá.

Ficou conhecida por sentenciar à prisão políticos envolvidos em casos de corrupção no estado. Se aposentou em 2018, ano em que foi eleita em primeiro lugar como senadora do Mato Grosso, pelo Partido Social Liberal (PSL).

Quando procurada pela reportagem do site Olhar Digital, afirmou que a acusação não tem credibilidade e que Malouf realizou uma manobra para afastar o promotor Marco Aurélio do caso.

Marco Aurélio

Marco Aurélio, promotor do Ministério Público Estadual (PME), ainda não se manifestou sobre as recentes notícias.

A defesa de Malouf